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COMPORTAMENTO - 23/10/2017

Broxar é um ato de amor

Broxar é um ato de amor

O que levaria um homem a considerar realmente a idéia de suicídio? Uma broxada, acreditem se quiser.

Nossa cultura falsamente liberal quanto a sexualidade olha a broxada com certa perversidade ou condescendência boba. Deveria ser no mínimo algo digno de uma análise mais cuidadosa decifrar o que faz um homem considerar-se completamente imprestável por não ser suficiente para uma mulher.

Recentes estudos comprovaram que a empatia é um dos sentimentos responsáveis por permitir que nos coloquemos no lugar dos outros. O correspondente cerebral que permite esse fenômeno exclusivamente humano são os neurônios-espelhos. Eles nos ajudam no ato de imitação tão importante para o processo educacional, afinal aprendemos imitando nossos pais, mestres e amigos desde o nascimento.

Essa capacidade de se colocar no lugar do outro permite que cerquemos de cuidado as pessoas que estimamos.

Será que ela acredita nisso?

Será que ela acredita nisso?

No entanto essa habilidade tem efeitos colaterais, pois ao tentar adivinhar o que se passa na cabeça da outra pessoa também cria um labirinto de deduções nem sempre positivas.

Dependendo do nosso estado de espírito podemos superestimar um semblante fechado como mau humor ou indisponibilidade e por isso refrear alguma intenção libidinosa. Eu vejo certa beleza nisso, afinal evidenciamos que não somos puramente instintivos.

Vivemos numa sociedade latina que taxa o orgasmo como a única forma de coroação do prazer (e do amor). Por isso soa condenável quando alguém não goza e frustra a vaidade que não admitimos ter e que implora: “mostre que me deseja”.

Quando um homem broxa ele comunica com seu corpo que não está pronto para a inteireza daquele ato. Sua cabeça está dividida, confusa, ansiosa, aflita e, portanto, indisponível para aquele momento. Nem sempre é pessoal, pelo contrario, é sinal de que houve consideração e empatia pela mulher em questão. Sem o saber ele se ausentou de oferecer algo de má qualidade.

Os motivos subliminares dessa ausência são variados, e podem até incluir certo egoísmo ou motivos fúteis (como embriaguez ou culpa por traição). De qualquer forma existe ali uma cautela secreta em ferir ou causar desagrado na suscetibilidade da parceira.

Quando o homem está 100% desconectado emocionalmente a broxada é raramente uma consequência, pois ele não está preocupado em criar vínculos que dependam de que sua performance seja vista como positiva. Nesse caso a meta é gozar desinteressadamente e com facilidade, basta penetrar freneticamente, sem pudor pelas consequencias.. É certamente mais trabalhoso ter uma performance agradável e que crie um sentimento mutuo de consideração, estima e validação. O peso da broxada não se resume naquele ato, mas no abalo da segurança masculina que se pauta numa promessa inconsciente: “estarei sempre firme aqui por você”.

Quando o homem broxa ao invés de olhar para si mesmo com aquele derrotismo cheio de autopoedade deveria surgir certo orgulho de si. Provavelmente ele está se debatendo internamente para superar a própria flacidez e seguir em frente mostrando que tem consideração pelo desejo da parceira.

Seria lindo se a mulher também pudesse perceber nas entrelinhas esse sentimento de cuidado e ver naquilo uma perspectiva mesmo que longínqua de profundidade e afeição.

Muitas vezes a broxada pode ser um ato de amor.

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